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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

DEPOIMENTO: POR QUE NÃO ME LIVREI DO MEU VÍCIO

DEPOIMENTO: POR QUE NÃO ME LIVREI DO MEU VÍCIO

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Depois de muitos anos chega uma hora em que é melhor você reconhecer quando o vício tomou conta de você e tornou-se impossível lutar contra ele. É o que venho fazer. É o que venho confessar.

Por isso assumo: não, não sou mais só um concurseiro. Reconheço que me tornei um concursólatra.

Sim, isso se tornou mais forte do que eu e hoje é um vício do qual não posso mais me libertar.

O melhor teria sido evitar o primeiro contato. Mas fiz meu primeiro concurso no ano 2000. Passei e trabalhei como Agente Censitário Supervisor no IBGE, por 6 meses, para o Censo realizado naquele ano. Àquela altura, eu não sabia que trilhava um caminho sem volta. Não sabia que nunca mais sairia dessa vida.

Desde então, aos poucos fui prestando diversos concursos públicos e mergulhando nesse mundo. Já era muito mais forte que eu.

Passei pelas faculdades de Engenharia Elétrica e História, mas larguei ambas para alimentar meu vício, porque só me acalmei mesmo quando resolvi cursar Direito. Era o vício me governando, pois eu queria aprender sobre aqueles estranhos estudos em que tudo é um lado que se pode defender e saber como aplicar leis contraditórios e infinitas. E, é claro, eu queria poder fazer mais e mais concursos.

Eu nunca deixava de prestar concursos públicos. Às vezes por precisar, buscando um emprego novo, um cargo melhor. Mas muitas vezes - é preciso coragem para dizer - o fiz só pela necessidade de sustentar o vício mesmo. Você quer mais, sempre mais. Pagar inscrição e sair de casa para fazer prova para um cargo menos interessante do que o que você ocupa é uma dessas loucuras que fazemos em nome dessa insanidade.

Nesses mais de 15 anos fazendo provas aprendi muito sobre como funciona esse submundo concurseiro. Há pranto e ranger de dentes, tráfico de aulas e materiais, solidariedade entre os viciados, coisas assim, que quem é de fora nem imagina. Nesses anos eu aprendi que as bancas não são tão originais quanto possam parecer, que há padrões nas provas cujo objetivo é nos manter ali, viciados, aprendi que há muitas estratégias que servem de atalhos, muitas desilusões, muito tempo perdido com métodos equivocados, mais derrotas do que vitórias, muitas injustiças.

Muita loucura. Muitos viciados.

Mas o meu principal aprendizado foi o de que os concursos não avaliam as pessoas, nem mesmo as competências profissionais. Avaliam aquilo que escolheram avaliar, esteja isso mais ou menos relacionado com as atribuições daquele cargo, e desde que isso comprove que você se entregou a eles. E você lá, naquele vício de ter avaliada a sua capacidade de fazer um "xis" no lugar certo. Ah, mas é irresistível saber...

Um cargo público não torna uma pessoa melhor ou pior; uma aprovação, por si só, está longe de significar inteligência ou capacidade; entender para a prova é comumente diferente de entender a essência de cada questão; e uma reprovação não quer dizer que uma pessoa não possa ser um servidor público excelente. Mas manter-se nos concursos, sim, significa alguma coisa: que depois que isso te aprisionou, você parece não conseguir se livrar.

O fato é que, se os concursos possuem muitos problemas, o problema de muitos é simplesmente entender como fazer para passar no concurso dos seus sonhos. Mas eu continuo com o meu já velho problema: alimentar o vício.

Se estou numa rodinha entre amigos ou familiares, não tem jeito: o concurso acaba sendo assunto. Na fila do banco, na padaria, no supermercado, no futebol, onde houver qualquer interação social lá está ele, querendo ser o centro das atenções.

Por isso me tornei professor, universitário e de cursos preparatórios para concursos, há mais de 7 anos. Porque você está sempre em busca de uma "droga" nova. Hoje sou Advogado da União e não almejo outros cargos, mas sigo com meu vício para alimentar.

E descobri que ensinar como passar me mantém nas entranhas dessa senha irresistível e inarredável. É aquela coisa de você estar ligado nas provas, nos gabaritos, nas loucuras das bancas, nas histórias de fraudes, nas lendas, nas provas bem e mal elaboradas, nos recursos, enfim, em tudo que esse submundo dos concursos oferece e que me faz respirar fundo, de olhos fechados, sentindo o barato que é estar ali de novo.

Antes de ser membro da AGU fui aprovado em uns 20 outros concursos, mas hoje parece que sou aprovado em cada vez mais, porque cada aluno ou ex-aluno que passa me faz sentir aquele mesmo barato que eu sentia quando via meu nome numa lista ou recebia um telegrama de nomeação (sim, sou da época do telegrama. Clique aqui para saber mais sobre o tema).

Eu já desisti, não tenho qualquer intenção de largar esse meu vício. Mas não faço mal a ninguém. Então me deixem!

Sou viciado, mas estou bem.

Sou concursólatra, mas sou feliz.

PS: para a eventualidade de você estar interessado em um "Sobre" sério, visite meu currículo Lattes clicando aqui)

5 comentários:

  1. O professor mais querido de direito administrativo. Já me rendeu boas risadas com as explicações, com as analogias, com os exemplos... Espero, professor, que este vício nunca saia de suas veias, pois é importante ter alguém tão entusiasmado dando as matérias e todo o apoio moral que você dedica aos alunos.

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    1. KcARla, rir é o melhor remédio, até pra estudar Direito Administrativo! Te desejo muito sucesso. E obrigado por escrever!

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  2. professor vc é muito especial,suas aulas e dicas estão me ajudando muito,muito obrigado!!

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